sábado, 26 de dezembro de 2015

Existem momentos na vida que você não sabe qual será o próximo passo.
2013 foi um ano bem intenso. Eu estava no último ano do ensino médio,  faltava algumas aulas de matemática para ir às manifestações e não tinha nenhum vínculo emocional com meus colegas de turma com exceção de alguns poucos. Para piorar descobrimos que meu pai tonha câncer maligno, aquele que não dá para curar.
Com isso eu criei duas certezas: não poderia me apegar a ninguém e que entraria em uma faculdade federal a todo custo. Onde desse para passar, eu estaria lá. Eu já fazia um cursinho popular no meu bairro e das lembranças que eu tenho de 2013 as melhores foi com a galera de lá, nas manifestações.
Passei na universidade de uma forma bem esquisita. Eu não esperava passar mais que 3 meses na Paraíba. Dei um tiro no escuro com uma probabilidade mínima de dar certo e deu certo. Eu não tinha família, casa, dinheiro, nada que me segurasse lá. Fui hospedado por uma pessoa que nem ao menos eu conhecia. Tudo aconteceu porque eu escolhi pedir informação para ele e não para nenhum outro.
Algum tempo se passou e eu conheci algumas pessoas. Na época a gente brigava por poder comer no RU. Fazíamos reuniões para discutir nossa abordagem, apesar de eu só pensar em fazer barulho e cartazes, como fazia em São Paulo. Dessas pessoas uma garota me chamava atenção: ela sempre estava com um livro na mão - um exemplar de Game of Thrones - que carregava para todo lado. Ela não falava muito, mas tinha uma beleza própria por seu jeito sutil de ser. Nos tornamos amigos, passávamos a noite conversando e aos poucos eu conhecia um pouco mais daquela menina fechada porém única. Até que um dia ela errar o beijo no meu rosto aconteceu e a gente não se separou desde então.
Existem alguns momentos na vida que parecem o fim do mundo.
O fim da escola.
O fim de um namoro.
A morte de um ente querido.
A formatura da faculdade.

Ás vezes, não há nada que você possa fazer sobre isso. O jeito é seguir em frente. Se reinventar. Mudar de vida. Mudar de cidade. Mudar seus ares.

Fazer algo assim pode ser extremamente assustador no começo, mas, algum dia, bem lá na frente, você olha pra trás e vê que foi melhor assim. Confie em mim, eu passei por isso.
Dois anos atrás, no fim de 2013, minha maior preocupação na vida era o que eu faria em seguida com a minha vida. Eu tinha acabado de terminar o ensino médio, não sabia o que queria fazer agora (estudar? trabalhar?), tinha medo de deixar meus pais e meus amigos na minha cidade pequena em que sempre vivi para viver na cidade grande que me oferecia mais oportunidades. Eu tinha medo daquilo que me esperava.
No ano seguinte, acabei sendo aprovada para estudar em uma universidade federal. O porém: eu estaria a 8 horas de distância de casa. Apesar de toda a relutância, me mudei para João Pessoa (na Paraíba) e comecei meus estudos.
A faculdade não foi nada daquilo que eu esperava. Além de eu ter me apaixonado por meu curso, que antes eu achava duvidoso, eu me enturmei bastante rápido (algo raro pra mim) com as pessoas do meu curso e também com outros estudantes da universidade que frequentavam outros cursos. E não demorou muito para que eu encontrasse alguém que entendia muito bem o que eu estava passando, mesmo que não nas mesmas proporções. Talvez eu tenha me apaixonado devido a esse entendimento mútuo que dividimos. Foi com certeza um fator de influência. E depois de mais de 1 ano, acredito que nós ainda tentamos nos entender para seguir nessa caminhada solitária, que agora fazemos juntos.
A lição de tudo isso é que, ás vezes pode parecer que as coisas estão complicadas e ás vezes é preciso que você se jogue de cabeça naquilo que quer, mas a mudança nem sempre é algo ruim. Pode ser algo bom, desde que você se comprometa a fazer disso algo bom.

No fim, as mudanças não são o fim do mundo. São a oportunidade para um recomeço.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015